Na hesitação entre memória de um caminho percorrido pluralmente com os alunos daquela que foi a minha escola nos últimos anos e a consciência de que é inescapável o fechar de um ciclo, fui adiando as palavras finais. Não existe já um Agrupamento de Escolas de Cerva, suprimido em temos de gestão/administração no quadro político das fusões. Creio que também vai deixando de existir a escola de Cerva, - na sua dimensão humana, compósito de vontades, experiências e sentires - que coincidia apenas espacialmente com essa outra chamada Agrupamento, num processo de rasuramento do que era. Assim, ficamos por aqui aqui. Encontrar-nos-emos, porém, por aí...
terça-feira, outubro 05, 2010
domingo, maio 23, 2010
Entre textos
Poema à Mãe
No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio do laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade
No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio do laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade
O que vos proponho é, pois, uma leitura deste texto em diálogo com o livro À Beira do Lago dos Encantos. Leitura intertextual. Entre o Lago dos Encantos e as «rosas brancas» do retatro na moldura, entre buscar o Longe e ir «com as aves», encontrarão, certamente, sentidos comuns. Procurar com o sentido da sensibilidade bem alerta é uma sugestão que fica.
terça-feira, maio 18, 2010
Entre o lago e o caminho
A peça À Beira do Lago dos Encantos passa-se num planeta desconhecido e distante, de Natureza semelhante à da Terra, mas existem lá elementos brancos, transparentes e impalpáveis. No planeta vivem um rapaz e uma rapariga – Ele e Ela, depois nomeados Adão e Eva – que não sabiam muita coisa da vida e tinham uma transparência interior.Um dia apareceu lá numa nave João, um rapaz vindo da Terra. Depois, João, os Cinco Sentidos, o Vento, o Tempo e a Fada ajudam Adão e Eva a perceber o significado de algumas palavras que inventaram, a explorar o mundo que os rodeia, a ter mais imaginação, a descobrir a amizade.
Este planeta representa simbólica a vida dos adolescentes neste nosso planeta Terra, pois é nessa fase da vida que se quer saber mais, por isso eles queriam ir para o Longe, crescer, abrir-se à descoberta. Porém, por outro lado, esse
Para eles, este planeta, enquanto lugar da infância, era um espaço de segurança, por outro lado, enquanto processo de crescimento, funciona como território a explorar. Tal como Adão e Eva da Bíblia, eles habitam um paraíso que desconhecem e a obra retrata o momento em que começam a abrir as portas dos sentidos da vida.
Eles têm de crescer e deixar para trás o Lago dos Encantos (o tempo da infância), mas não querem deixar de ser transparentes por dentro, ou seja, querem preservar a inocência da infância guardando dentro de si a memória desse Lago dos Encantos.
Luís, Madalena, Nuno e Sara, 7.º (corte e costura do texto colectivo feito pela professora de Língua Portuguesa)
segunda-feira, maio 17, 2010
domingo, maio 02, 2010
sábado, março 27, 2010
Leituras+
No contexto dos respectivos planos individuais de leitura, e aproveitando o facto deste livro acompanhar o manual, os alunos do 7.º A e 7.º B leram-no em leitura autónoma, da qual entregaram a respectiva ficha de leitura. Lamento que alguns tenham optado pela batota do copy past de trabalhos encontrados na Internet (7.º A) e outros pelo copy past da ficha dos colegas. Ficam aqui dois bons exemplos, daqueles que leram mesmo e fizeram o resumo e o comentário crítico. Bastante diferentes, por sinal: a Sara (7.ºA) apresentou uma ficha de leitura muito extensa, contemplando um resumo de cada conto; a Ariana (7.º B) fez um resumo muito sintético, mas que não deixa de captar o essencial deste livro. No caso da Sara, fica apenas o resumo do conto «O Suave Milagre» por falar da figura celebrada na Páscoa.
lllllllll
«O suave milagre»
Há muito tempo, ainda quando Jesus estava na Galileia, contava-se que tinha nascido uma pessoa enviada por ele. Havia um homem chamado Obed, a quem o rebanho e a vinha tinham morrido por causa do vento. Então pensou que rabi o podia ajudar a acabar com a morte do rebanho e a por verdes as vinhas. Mandou os seus criados à procura, que receberam várias indicações, mas não deu em nada. Até Sétimo, centurião romano que comandava um forte, enviou um batalhão de soldados à sua procura para curar a filha, e nada.
Há muito tempo, ainda quando Jesus estava na Galileia, contava-se que tinha nascido uma pessoa enviada por ele. Havia um homem chamado Obed, a quem o rebanho e a vinha tinham morrido por causa do vento. Então pensou que rabi o podia ajudar a acabar com a morte do rebanho e a por verdes as vinhas. Mandou os seus criados à procura, que receberam várias indicações, mas não deu em nada. Até Sétimo, centurião romano que comandava um forte, enviou um batalhão de soldados à sua procura para curar a filha, e nada.
Viviam num casebre uma viúva e o filho aleijado que passavam muitas dificuldades. Um dia um velho contou-lhes a história do rabi que fazia milagres, então o filho pediu à mãe que lhe trouxesse esse rabi. Aí ela contou-lhe que Obed e Sétimo o tinham mandado procurar em vão, mas o menino continuava a dizer à mãe que queria ver Jesus, e logo de seguida Jesus entrou e disse «Aqui estou.».
Comentário crítico sobre o livro:
Cada conto transmite uma moral muito importante. Nestes diferentes contos há pessoas que são muito bondosas e respeitadoras (exemplo: a aia), mas também pessoas invejosas que querem tudo para elas (exemplo: Rui e os irmãos, do conto «O Tesouro»). Aprendemos também que Jesus dá atenção a todos.
lllllll
Sara Costa
Comentário crítico sobre o livro:
Cada conto transmite uma moral muito importante. Nestes diferentes contos há pessoas que são muito bondosas e respeitadoras (exemplo: a aia), mas também pessoas invejosas que querem tudo para elas (exemplo: Rui e os irmãos, do conto «O Tesouro»). Aprendemos também que Jesus dá atenção a todos.
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Sara Costa
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Resumo do livro:
Este livro conta a história de uma aia que era muito generosa, de três irmãos que eram tão "amigos" que depois acabam por se matar uns aos outros, de um rei que era muito rico e que deu tudo que tinha, de um rapaz que andava sempre aborrecido e que encontrou a sua paz no campo, e de um menino que acreditava que havia milagres e acreditou sempre até que um dia Jesus lhe apareceu.
llll
Ariana Gonçalves
domingo, março 21, 2010
Poesia a dias

Ana Hatherly
O PROBLEMA DE SER NORTE
lll
Era um verso com árvores à volta.
Tinha o problema de ser norte
e dia e tão contrário à natureza.
Era um verso sem ar livre
mas com árvores em círculo
e eu no centro, em baixo, nas escadas
de pedra, cheia de verde e de frio
e a pensar que continuo a não entender
a natureza contrária aos meus olhos.
Pois se as árvores são a única
paisagem deste verso, a toda a volta,
e eu no fundo, em baixo, nas escadas
de pedra ainda, se voltando-me, morrendo,
serão elas ainda a única paisagem deste verso,
como poderei amá-las
sem que
Tinha o problema de ser norte
e dia e tão contrário à natureza.
Era um verso sem ar livre
mas com árvores em círculo
e eu no centro, em baixo, nas escadas
de pedra, cheia de verde e de frio
e a pensar que continuo a não entender
a natureza contrária aos meus olhos.
Pois se as árvores são a única
paisagem deste verso, a toda a volta,
e eu no fundo, em baixo, nas escadas
de pedra ainda, se voltando-me, morrendo,
serão elas ainda a única paisagem deste verso,
como poderei amá-las
sem que
lll
um
raro
silêncio ainda
um
raro
silêncio ainda
ll
me interrompa?
me interrompa?
mmm
Filipa Leal, O Problema de Ser Norte, Deriva Editores
llll
llll
O POEMA
lll
I
ii
Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontando ao coração do homem
lll
(...)
ll
Luiza Neto Jorge, Poesia, Assíírio & Alvim
segunda-feira, março 08, 2010
Dia Internacional da Mulher
Helena Almeida«O Avô Markus sentava-se em baixo, na secção dos homens. A avó Ester e eu subíamos a escada para a galeria da smulheres. Perguntei certa vez à avó por que é que os os homens ficavam separados das mulheres e por que é que as mulheres não intervinham nas cerimónias mais magníficcas.
(…)
− Há séculos, disse ela, as coisas superiores e importantes eram exclusivo dos homens. Ainda nos tempos de hoje isso se ressente. Só os homens são chamados para pegar nos rolos da tora e para ler os textos. Onde alguma vez se viu um rabino de saias? Mas basta. Agora já sabes por que é que nós as duas ficamos cá em cima, isoladas dos homens.
Tirando os sermões sobre o que era prático e económico, nunca a avó me explicara tanta coisa de uma só vez. E, facto estranho: nas faces pálidas surgiram-lhe manchas vermelhas que faziam lembrar rosas murchas.
− Os homens ainda agora têm mais importância do que as mulheres?, perguntei.
− Enfim, as coisas já estiveram piores. Espero que se dêem grandes modificações até tu seres uma rapariga crescida.
Era deveras emocionante ouvir falar assim a avó Ester. Eu precisava de aproveitar aquela ocasião para ficar a saber mais sobre o assunto. Mas pousou o dedo nos lábios, o que queria dizer que me devia calar.
De noite tentei continuar a conversa com o avô, que, no entanto, não parecia interessado.
− Achas que a tua avó não tem importância nesta casa?, perguntou, e deu uma risada seca.
Oh, sim, era verdade: a avó Ester era a pessoa mais importante em nossa casa. Limpava, cozinhava, lavava a roupa, guardava o dinheiro, destinava os gastos e dava ordens. O avô chegava a mentir, de tanto medo que tinha dela. Mas, mesmo assim, tudo isso nada tinha a ver com o que a avó me dissera naquela tarde. Certamente o problema pertencia aos que agitavam a alma e, por isso, o avô esquivava-se.»
(…)
− Há séculos, disse ela, as coisas superiores e importantes eram exclusivo dos homens. Ainda nos tempos de hoje isso se ressente. Só os homens são chamados para pegar nos rolos da tora e para ler os textos. Onde alguma vez se viu um rabino de saias? Mas basta. Agora já sabes por que é que nós as duas ficamos cá em cima, isoladas dos homens.
Tirando os sermões sobre o que era prático e económico, nunca a avó me explicara tanta coisa de uma só vez. E, facto estranho: nas faces pálidas surgiram-lhe manchas vermelhas que faziam lembrar rosas murchas.
− Os homens ainda agora têm mais importância do que as mulheres?, perguntei.
− Enfim, as coisas já estiveram piores. Espero que se dêem grandes modificações até tu seres uma rapariga crescida.
Era deveras emocionante ouvir falar assim a avó Ester. Eu precisava de aproveitar aquela ocasião para ficar a saber mais sobre o assunto. Mas pousou o dedo nos lábios, o que queria dizer que me devia calar.
De noite tentei continuar a conversa com o avô, que, no entanto, não parecia interessado.
− Achas que a tua avó não tem importância nesta casa?, perguntou, e deu uma risada seca.
Oh, sim, era verdade: a avó Ester era a pessoa mais importante em nossa casa. Limpava, cozinhava, lavava a roupa, guardava o dinheiro, destinava os gastos e dava ordens. O avô chegava a mentir, de tanto medo que tinha dela. Mas, mesmo assim, tudo isso nada tinha a ver com o que a avó me dissera naquela tarde. Certamente o problema pertencia aos que agitavam a alma e, por isso, o avô esquivava-se.»
Ilse Losa, O Mundo em Que Vivi
Proposta do dia: deixar um comentário sobre este tema, partindo do texto de Ilse Losa, procurando interpretar as perspectivas da avó e do avô de Rose sobre a questão dos direitos das mulheres e da igualdade de oportunidades e responsabilidades.
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
O mundo que vivemos
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Literatura oral tradicional
Provérbio
A gentileza custa cuidados e exige um pouco de paciência, mais cedo ou mais tarde ela tem recompensa.
lll
O provérbio foi a Sara Duarte, do 7.º B, que enviou. Eu escolhi-o, de entre outros textos que ela seleccionou, por ser tão "Sara", uma menina doce e gentil. É pouca a recompensa, mas os cuidados e a paciência merecem.
terça-feira, janeiro 26, 2010
A paisagem da lenda
A Sara (7º A) enviou três imagens das Lagoa das Sete Cidades, a propósito da lenda lida e explorada, hoje, na aula, escolhi esta por ilustrar melhor o tema central da lenda, a relação da cor dos olhos azuis da princesa e dos olhos verdes do pastor com as cores das águas da lagoa.
domingo, janeiro 10, 2010
Leituras de Natal 7.º B
Ana: À beira do lago dos encantos, Maria Alberta Menéres
Sofia: A Lua de Joana, Maria Teresa Maia Gonzalez
Anselmo: Os três Mosqueteiros, Alexandre Dumas
António: Uma Aventura no Palácio da Pena, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Dora: Uma Aventura nas Ilhas de Cabo Verde, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Laura: Sonho de Estrela, Sue Bentley
Luís: Queimada Viva, Souad
Rafaela: O Álbum de Clara, Maria Teresa Maia Gonzalez
Sara: O Cavaleiro da Dinamarca, Sophia de Mello Breyner Andresen
Sofia: A Lua de Joana, Maria Teresa Maia Gonzalez
Anselmo: Os três Mosqueteiros, Alexandre Dumas
António: Uma Aventura no Palácio da Pena, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Dora: Uma Aventura nas Ilhas de Cabo Verde, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Laura: Sonho de Estrela, Sue Bentley
Luís: Queimada Viva, Souad
Rafaela: O Álbum de Clara, Maria Teresa Maia Gonzalez
Sara: O Cavaleiro da Dinamarca, Sophia de Mello Breyner Andresen
Leituras de Natal - 7.º A
Ana: Uma Aventura nas Férias da Páscoa, Ana Magalhães e Isabel Alçada
Bruna: Uma Aventura no Alto Mar, Ana Magalhães e Isabel Alçada
Daniel: O segredo do rio, Miguel Sousa Tavares
Daniela: Mickey e Pateta, uma missão tranquila, AAVV
Luís: ATLANTIDA, o Continente Perdido, Marco Ghiclioue e Stefano Atardi
Madalena: História de Portugal, AAVV
Agostinho: Os Sete Salvam o Cavalo, Enid Blyton
Nuno: Madagáscar, AAVV
Ricardo: O Futebol ou a Vida, Álvaro Magalhães
Sara: Uma Aventura em França, Ana Magalhães e Isabel Alçada
Silvana: Cão Espião 2, Andrew Cope
Simão: FABI, o Grande Extremo Direito, Joachim Masannek
Tomás: Filhos do Sol, Morris West
Bruna: Uma Aventura no Alto Mar, Ana Magalhães e Isabel Alçada
Daniel: O segredo do rio, Miguel Sousa Tavares
Daniela: Mickey e Pateta, uma missão tranquila, AAVV
Luís: ATLANTIDA, o Continente Perdido, Marco Ghiclioue e Stefano Atardi
Madalena: História de Portugal, AAVV
Agostinho: Os Sete Salvam o Cavalo, Enid Blyton
Nuno: Madagáscar, AAVV
Ricardo: O Futebol ou a Vida, Álvaro Magalhães
Sara: Uma Aventura em França, Ana Magalhães e Isabel Alçada
Silvana: Cão Espião 2, Andrew Cope
Simão: FABI, o Grande Extremo Direito, Joachim Masannek
Tomás: Filhos do Sol, Morris West
quarta-feira, dezembro 30, 2009
Leituras no sofá
Olá meus caros alunos do 7º A e do 7º B, espero que tenham aproveitado bem o sofá da vossa casa, mesmo que não seja tão sugestivo como o de Dali, para porem as leituras em dia. Alguns já andaram por lá e mandaram as fichas de leitura. Espero receber mais algumas para fazer um postagem sobre as vossas leituras.
kkk
Bom ano de 2010 e boas leituras.
jjj
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Será Natal?
Dia de Natal
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
António Gedeão
sexta-feira, dezembro 11, 2009
Teste nas estrelas
O COMETA
Lá vem lá vem o cometa
tem a cauda branca
a cabeça preta
Que não se intrometa
na sua rota
nenhum planeta
E que ninguém tente
cortar-lhe o cabelo
ou não fosse de gelo
Nunca noiva alguma
teve um vestido assim
feito de espuma
Lá vai lá vai o cometa
Tem a cauda branca
A cabeça preta
Se não o viste passar
Daqui a cem anos
Ele há-de voltar
Jorge Sousa Braga, Pó de Estrelas
Texto do último teste de Língua Portuguesa do 7.º Ano, que os alunos compararam com um texto informativo sobre os cometas. Às voltas com o ser ou não ser literário. A ver vamos os resultados...
llll
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Poetizando com pó de estrelas

Olho para o céu, aparece-me um véu de nuvens brancas,
carrancas de formas diferentes e muito impertinentes.
Olho para o céu, vejo um chapéu com bolas, e estrelas belas
de linhas de cores variadas e bastante espalhadas.
Madalena Teixeira
Quando olhamos para o mar
Sentimos algo especial
Liberdade amor alegria
Sentimentos para um dia reencontrar
Sara Costa
carrancas de formas diferentes e muito impertinentes.
Olho para o céu, vejo um chapéu com bolas, e estrelas belas
de linhas de cores variadas e bastante espalhadas.
Madalena Teixeira
Quando olhamos para o mar
Sentimos algo especial
Liberdade amor alegria
Sentimentos para um dia reencontrar
Sara Costa
sexta-feira, novembro 13, 2009
quinta-feira, novembro 12, 2009
terça-feira, outubro 27, 2009
Ler o universo

Pó de Estrelas, de Jorge Sousa Braga, constitui uma revisitação poética do universo e de algumas das suas noções. Tomando como ponto de partida o cosmos e a própria astronomia, o sujeito poético recria poeticamente temas científicos, propondo leituras alternativas da realidade.
Já lemos e tresleremos nas próximas aulas do 7.º A e B.
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