segunda-feira, janeiro 05, 2009

Os labirintos onde alguns se perderam

aaaaaaQuando Mademoiselle Nadine Fabre entrou para o táxi que a havia de levar ao São Carlos, para a primeira récita de Maria Callas, em Lisboa, estava João Queiroz a enfiar Narcisa para dentro do seu enorme Chrysler preto, ordenando ao chofer que seguisse a caminho da clínica. Mademoiselle Nadine Fabre sorriu ligeiramente para o vizinho, mas ele baixou apenas a cabeça, distraído. (...)
aaaaaaMas mesmo que tudo se tivesse passado assim — o que, evidentemente, ninguém hoje consegue garantir — Mademoiselle Nadine Fabre não teria dado por nada.
aaaaaaPorque Mademoiselle Nadine Fabre estava muito longe.
aaaaaaMademoiselle Nadine Fabre fechou os olhos, e dentro do táxi transformou-se em Maria, é grega, o avião em que viajou de Madrid para Lisboa acabou de aterrar na Portela, está uma multidão à sua espera. (...)
aaaaaaMademoiselle Nadine Fabre, agora de olhos bem abertos, gosta de sentir o cheiro dos perfumes no foyer do teatro, gosta de olhar para os espelhos, para as alcatifas, para as pinturas, para os dourados. Senta-se na poltrona de veludo vermelho que lhe coube em sorte e está a minutos, a segundos, da realização do grande sonho da sua vida: ouvir Maria Callas ao vivo, a cantar La Traviata.
nnnnnnnnnnn
Alice Vieira, Um fio de fumo nos confins do mar

domingo, janeiro 04, 2009

Labirinto de letras

Ana Hatherly, Labirinto de letras
De regresso às aulas, às palavras, aos textos, aos livros. Amanhã me dirão que labirintos de letras percorreram nas férias de Natal...

quarta-feira, dezembro 17, 2008

De pequenino...


Os pequeninos na Feira do Livro. Os mais entusiastas. Livros e meninos. Uma festa.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Um livro na Feira do Livro II

Nuno Barros

No início era o caos.
No início, como sempre, era o caos.
Não poderia ser de outro modo.
No início, dizia eu (?), era o caos.
Mas não é preciso haver alguém para dizer o caos? E esse alguém põe no caos a
pedra da gravidade: a palavra onde chove e onde bate o sol (os seus espinhos).
Alguém que peregrina mas não tem deus, alguém que põe a pedra do deus no
seu próprio caminho.
Portanto alguém que inventa o caminho.
No início, em suma, era o caos.
Logo, também os pequenos cosmos caídos no caos, por exemplo, repetir a
palavra caos tantas vezes que
caos caos caos caos caos caos caos caos caos caos caos caos caos caos caos caos
caos caos caos caos caos caos
do caos se levante a pequena rotação de um sentido. Por exemplo: uma pequena
alma, essa desordem controlada.
Uma pequena alma balbuciante que empurra tintas, que diz “aqui”, ou diz:
No início era o caos, um caos tão frágil que o menor movimento
levava cada linha a um lugar que fosse seu, como se
estivesse tudo na iminência de se fazer sentido e em lugar nenhum
se pudesse salvaguardar a desordem, essa beleza sem testemunhas.
No início, balbucia, no in-, no início era
era o caos, balbucia, aprende a balbu-, a balbuciar, regressa
à dificuldade da língua insone, o caos, era
o inacessível caos na desordem instável
de um mundo condenado ao explodir do sentido.

Pedro Eiras, in Arrastar Tinta


O autor não pôde estar presente, mas ficamos com o rasto das palavras. A Márcia, do 9º A, elegeu este poema para arrastar a tinta da leitura, do caos ao sentido.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Um livro na Feira do Livro

llllllllllllllll
Na próxima terça-feira à tarde, na Feira do Livro do Agrupamento de Escolas de Cerva, temos o prazer de contar com a presença de Pedro Eiras para apresentar Arrastar Tinta, uma «experiência de Nuno Barros, que pintou, e Pedro Eiras, que escreveu».

quarta-feira, dezembro 10, 2008

O 9ºA responde à pergunta

O QUE É UM HOMEM SEXUAL?

A escola da amizade

é uma escola diferente,
toda a gente faz perguntas
e quem responde… não mente.

Nesta escola tão escola
todos gostam de aprender;
todos gostam de ensinar;
todos gostam de saber.

Ilda Taborda +Gémeo Luís, O que é um homem sexual?

quinta-feira, dezembro 04, 2008

O contador de histórias

Juan Muñoz

(A não perder em Serralves, até 18 de Janeiro)

Apesar de a sala estar praticamente vazia o senhor Brecht começou a contar as suas histórias.

...
Medidas enérgicas
O governo corrigia os desequilíbrios sociais colocando duas sentinelas em redor de cada pobre.
...
Depois de contar a última história senhor Brecht olhou em redor. A sala estava cheia. As pessoas eram tantas que tapavam a porta. Como poderia agora sair dali?

Gonçalo M. Tavares, O Senhor Brecht
(A não perder, pedindo emprestado a uma professora perto de ti, até a final do ano)