sexta-feira, setembro 28, 2007

O Bairro I













Gonçalo M. Tavares




Gonçalo M. Tavares construiu «O Bairro», espaço literário onde se cruzam uns estranhos e divertidos Senhores: O senhor Valéry, que «era pequenino, mas dava muitos saltos»; o senhor Henri e os seus comentários engraçados, ainda que, por vezes, sexistas (como «o carrinho de mão foi inventado para dar força ao homem, enquanto a mulher foi inventada para tirar força ao homem.») ; o senhor Brecht e o seu humor negro; o senhor Juarroz, que, como «não era muito adepto do desporto, optava por competir consigo próprio, através daquilo que ele designava como “os seus dois jogadores”: o pensamento e a escrita.»; o senhor Kraus, sempre embrenhado na escrita das suas crónicas para o jornal, onde critica e denuncia a corrupção do poder político, simbolizada pelo caricato Chefe e seus Auxiliares; o senhor Calvino, que tinha «uma janela de abotoar» de onde podia «observar o mundo»; e o senhor Walser, perplexo e impotente ao ver que o seu mundo se vai desmoronando.
Estes senhores lembram outras personagens famosas do cinema, como Charlot, Buster Keaton ou o Sr. Hulot de Tati, pelo seu lado burlesco, ingénuo, sonhador, que faz deles lunáticos sempre à beira do desastre. Passam a vida a pensar o mundo, mas a realidade, muitas vezes, atropela as teorias elaboradas e cai-lhes em cima de forma inesperada.
Os alunos do 9º A partiram numa expedição ao Bairro para tentar entrever estas curiosas criaturas de Gonçalo M. Tavares no seu habitat natural. Durante esta semana, nas aulas de Língua Portuguesa, os alunos desbravaram a floresta das páginas e chegaram a esse espaço literário ainda desconhecido. Depois, os livros circularam e alguns aventuraram-se em percursos individuais de leitura no território-livro mais apetecível para a sua imaginação. Dessas incursões ficaram alguns textos sobre esta experiência surreal. A ver, brevemente, num blog perto de si…

segunda-feira, setembro 17, 2007

O regresso da livromania

Quadro de Sarah Afonso


Acabaram as férias, em que alguns viajaram até à praia, ao rio, à montanha, a lugares a norte e a sul da rotina de todos os dias, e em que outros ousaram também aventurar-se a cruzar as páginas de um livro. E estamos, pois, de regresso à escola e a mais leituras. Novos projectos de leitura nos esperam. Deles daremos notícias brevemente. E dos livros que nos esperam na quietude das estantes, numa promessa de possíveis encontros.

sábado, junho 23, 2007

Clube LerArtes

O Clube LerArtes desenvolveu ao longo do ano uma experiência de contacto com textos diversos e com a expressão dramática, no sentido de potenciar o desenvolvimento da sensibilidade estética dos alunos e as suas competências no domínio da comunicação e da interacção em contextos diversificados.
Nem sempre os alunos inscritos no clube se pautaram pela necessária regularidade, lamentando-se mesmo a quebra de compromissos assumidos, todavia algumas meninas – a Marisa, a Carina, a Inês e a Cátia, do 8º B – resistiram até ao fim, pelo que é para elas o primeiro louvor. E saudamos de forma muito especial a Liliana, a Mónica, a Isa e o Tiago, do 8º A, que, em cima da hora, se juntaram a nós para levar a bom porto a projectada apresentação no sarau «Música e Teatro numa Noite de Verão”, após o abandono de alguns elementos do clube.
Vimo-nos a braços com dificuldades e tivemos de reinventar uma encenação de recurso, pois já não havia tempo de ensaiar de novo uma peça, mas divertimo-nos bastante nestas últimas duas semanas.
Ficam as imagens de todos aqueles que passaram pelo clube ao longo do ano. Até para o ano, com muitas teatrices à mistura, esperamos nós.


As professoras:
Inês de Castro Silva
Paula Salbany



sexta-feira, junho 22, 2007

"Aquário" II


Era um peixinho vermelho
De barbatanas brilhantes
Vivia num aquário
Com outros três azuis e bem arrogantes!

O dono era um menino
Que adorava observar
Os seus peixinhos coloridos
Dia e noite a nadar.

O vermelhinho não tinha
Amigos para brincar
Só comia os restinhos
E entrar na gruta, nem pensar!

Aborrecido, sozinho
A nadar sem companhia
Estava cada vez mais magro e sem cor
Da tristeza que sentia.

Era negro, maior e mais velho
O peixe acabado de chegar
E os peixinhos azuis
Tiveram um medo de pasmar.

Quando o menino chegava
Com a comida prontinha,
Comia o preto sossegado, os azuis,
E o vermelho só se houvesse uma sobrinha.

O mais velho reparando
No definhar o peixinho
Acercou-se a conversar
Com o vermelho magrinho.

Daquele dia em diante
Bons amigos se tornaram,
Comiam juntos, brincavam,
Para espanto dos azuis
Que muito pasmados ficaram.

Mas a tristeza chegou
Ao coração do vermelho
Viu como ficou doente
O seu amigo mais velho.

Chegou a hora do vermelho
Retribuir a amizade,
Pois lembrava-se da companhia
Com respeito e com saudade.

Um a um os azulitos
Foram adoecendo
Sem força e sem saúde,
A pouco e pouco morrendo.


Estranhando a ausência,
Mas ainda amedrontado,
Procurou os outros peixes
Na gruta mesmo ao lado.

Ofereceu a sua ajuda
E defendeu o amigo,
Que os azuis acusavam
De representar grande perigo.

Tentou convencer os outros
De que o amigo era inocente
Mas ele próprio sabia
Que estava a ficar doente.

Sentia a força a escapar
E com a pouca que tinha
Pôs-se aos saltos fora de água
Para ver se o menino vinha.

O menino que já andava
Triste e preocupado,
Procurou a ajuda do pai
Que os colocou noutro lado.

Passou-os para uma bacia
Com água limpa, transparente
Desinfectou o aquário e colocou-os,
De volta, todo contente.

Todos ficaram melhor,
Menos o negro velhinho
E os outros compreenderam
A situação do negrinho.

Perderam o medo por fim
E juntos ajudaram
O negro a recuperar
As forças que lhe faltaram.

Que a todos nos sirva
Esta bela lição,
Não devemos julgar os outros
Sem conhecer seu coração.

Ajudar nossos amigos
É uma grande missão,
Com amizade e carinho
E sem impor condição.

Texto poético inspirado no livro Aquário, 4º F

Teatro de Sombras, 2º C


quinta-feira, junho 21, 2007

"Aquário"







O escritor pensa o mundo e escreve










a obra nasce do encontro com as palavras









os meninos sonham histórias que tornam suas




E desta vez os alunos do 1º ciclo da nossa escola viajaram por um aquário que é, afinal, o nosso mundo, onde se cruzam peixes-pessoas diferentes em muitos aspectos, mas iguais no valor afectivo de cada um. E todos puderam aprender com esta história a importância da amizade e da solidariedade que nos deve unir para além de todas as diferenças que nos possam separar.


O escritor João Pedro Mésseder (José António Gomes), o autor de Aquário, visitou-nos, na tarde do dia 19, e falou desta obra, da experiência de escrever, da forma como as histórias crescem na sua imaginação, respondendo às perguntas curiosas de muitos meninos. Depois contou ainda a história do tonto Pedro Malasartes e das suas engraçadas (des)aventuras e convidou-nos a brincar com o jogo poético de Versos com Reversos.


Os meninos ficaram fascinados com o que, para todos, era o primeiro contacto com um escritor, autor de um livro que leram, e reagiram sempre com entusiasmo, desde o momento em que o receberam à porta da escola até ao final do encontro.





quarta-feira, maio 16, 2007

Concurso «À descoberta do livro»



E as meninas continuam a ser mais persistentes, por isso temos novamente duas grandes vencedoras…

Ângela Monteiro, 7º B
Patrícia Pereira, 6º A


O “livro-mistério” de Maio é…






Ana Maria Magalhães
Isabel Alçada



Este livro fala-nos de Alexandre, um jovem que estava farto da escola, farto da família, farto da rapariga que o persegue e de quem não gosta, farto da paixão pela rapariga de quem gosta e que não gosta dele, farto de si próprio.Uma noite, nas Docas, encontra um rapaz muito parecido com ele que lhe diz andar embarcado ao serviço de um milionário e estar farto do patrão, das viagens constantes e de ver só mar dias seguidos. Resolvem então trocar de identidades por um mês e partem para a grande aventura de ser outro.

quinta-feira, maio 10, 2007

Semana das línguas III






Et vive la France!



Hoje mergulhámos na cultura francesa através da gastronomia (com queijo a abrir e mousse de sobremesa, nham, nham!) e da música, numa alegre festa dos sentidos. E não esquecemos que a língua francesa foi sempre uma língua da grande literatura. Por isso lembramos hoje o livro francês mais conhecido no mundo inteiro, que apaixona e emociona milhões de leitores de todas as idades.


Le Petit Prince, em português O Principezinho, é um romance de Antoine de Saint-Exupéry, publicado em 1943 nos Estados Unidos. A princípio, aparentando ser um livro para crianças, tem um grande teor poético e filosófico. É o livro francês mais vendido no mundo, cerca de 80 milhões de exemplares, e entre 400 a 500 edições. Também se trata da segunda obra literária (sendo a primeira a Bíblia) mais traduzida no mundo, tendo sido publicado em 160 línguas ou dialetos.


Fica aqui um excerto para vos abrir o apetite. Traduzido...


E foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.